para todos os cozinheiros de guerrilha
03 out 2011 4 Comentários
em Diversos
Curtiu? Se identificou? Baixa aqui, imprime e coloca na tua cozinha :)
Dica da @fabi2moraes
guia de harmonização
05 set 2011 2 Comentários
em Diversos, Guia Tags:harmonização, vinho
Muito bacana e super útil esse mini-guia de harmonização feito pelo Marcelo Katsuki:
a boire et à manger
30 ago 2011 1 Comentário
em Diversos
Receita ilustrada sempre é uma coisa que me enche os olhos, talvez por eu ser designer e apaixonada por ilustração. Já falei aqui no blog do They Draw and Cook e do Recipe Look e hoje vi no Cozinha Secreta, blog ótimo da minha ex-colega de turma Lu, o A Boire et à Manger, um blog fofíssimo de receitas ilustradas de Guillaume Long:
Uma pena que seja todo em francês, né? Mas nem precisa saber a língua, as ilustras falam por si.
brownies
25 ago 2011 2 Comentários
em Curiosidades, Receitas, Sobremesas Tags:bangor brownies, brownies, cakelike brownies, chewy brownies
Quem não gosta de brownie com certeza tem algum problema sério: é ruim da cabeça, pelo menos. O Brownie é um doce tipicamente americano feito de chocolate. Sua textura é densa, rica e está entre um bolo e um biscoito: a casca é crocante, firme por fora e macio e úmido por dentro. Pode ter castanhas, amêndoas, nozes ou pedaços de chocolate no seu interior.
A origem do brownie é controversa: alguns afirmam que um chef desconhecido adicionou por engano chocolate derretido numa travessa de biscoitos. Outros, que um cozinheiro estava fazendo um bolo e não tinha farinha de trigo o suficiente. A teoria mais aceita é citada em Betty Crocker’s Backing Classics e The Encyclopedia of American Food and Drink é que uma dona de casa de Bangor, Maine, estava fazendo um bolo de chocolate e esqueceu de colocar fermento na mistura. Quando viu que seu bolo não cresceu de forma correta, retirou a travessa do forno e cortou em quadradinhos, serviu e chamou-os brownies.
A primeira vez que o brownie veio a público foi em 1893 durante a feira mundial Columbian Exposition, em Chicago, celebrando os 400 anos de descobrimento do Novo Mundo por Cristóvão Colombo. Um chef do hotel Palmer House, de Chicago, serviu os bolinhos, após a socialite Bertha Palmer solicitar a ele uma “sobremesa para moças” que fosse fácil de comer como um pedaço de torta só que em pedaços menores que uma fatia de bolo e que fossem colocados em caixinhas para acompanhar o almoço do prédio das mulheres na tal feira. Esses primeiros brownies foram servidos com uma calda açucarada de damasco e nozes e até hoje os brownies são feitos no hotel seguindo a receita original.
O nome brownie foi popularizado pelo autor Palmer Cox com a publicação de seu livro The Brownies, Their book, em 1887. Com o sucesso do livro, várias empresas começaram a utilizar o termo brownie em propagandas. Por exemplo, a Kodak, que laçou uma câmera com o nome de brownie e logo se tornou muito popular; empresas de doces usaram o termo brownie nos seus doces a base de chocolate e a Sears & Roebuck usou o nome num de seus cookies.
As primeiras receitas de brownie como os servidos hoje em dia apareceram nos livros Home Cookery, de 1904; Service Club Cookbook, também de 1904; no jornal The Boston Globe, em 2 de abril de 1905 e na edição de 1906 do The Boston Cooking School Cookbook, de Fanny Merritt Farmer.
Uma segunda versão da receita apareceu em 1907 no Lowney’s Cookbok de Maria Willet Howard. Essa receita adiciona um ovo extra e um tabelete a mais de chocolate à receita do Boston Cooking School, criando um brownie mais rico e com mais sabor de chocolate. Essa receita foi batizada de Bangor Brownies, em homenagem à sua criadora que morava em Bangor, no Maine.
Tipos de Brownie
O Brownie clássico consiste em poucos ingredientes: manteiga, açúcar, chocolate, ovos e farinha de trigo. São os chamados fudgy brownies, e são considerados os brownies originais. Levam o mínimo de farinha e não levam fermento. A manteiga é batida com o açúcar até formar uma pasta cremosa e clara. O chocolate amargo é adicionado e o açúcar usado pode ser branco ou mascavo e isso vai influenciar na cor final do brownie.
Os cakelike brownies são, na verdade, pequenos bolinhos. Eles têm menos manteiga e mais farinha de trigo do que os fudgy brownies assim como um pouco de fermento para deixá-los mais leves. O açúcar é adicionado à manteiga e em seguida o chocolate derretido. Algumas receitas adicionam um pouco de leite para deixá-lo mais tenro.
E finalmente os chewy brownies. Sua textura grudenta vem de dois fatores: um ovo extra (ou dois) e a combinação de diferentes tipos de chocolate. O chocolate amargo leva uma proporção maior de amido, que cria uma textura pegajosa. Chocolate meio amargo produz uma textura mais cremosa. Usando os dois juntos e mais um pouco de cacau em pó, obtém-se uma rica textura pegajosa.
Blondies são a versão com chocolate branco, açúcar, manteiga e ovos (e normalmente amêndoas), mas sem chocolate preto.
Receitas Clássicas
Bangor Brownie
(receita de 1904, publicada no Service Club Cookbook, página 62 – Chicago, IL)
½ xícara de manteiga
1 xícara de açúcar
2 barras de chocolate
2 ovos
½ xícara de farinha de trigo
½ xícara de amêndoas trituradas
Misturar o açúcar com a manteiga, adicionar o chocolate derretido misturar bem. Adicionar os ovos, misturar e por último colocar a farinha de trigo. No final, adicionar as amêndoas e colocar numa travessa retangular pra assar a 180 graus por 30 minutos.
Brownies
(Receita da Larousse do Chocolate)
125g de chocolate amargo (entre 55% e 70% de cacau)
225g de manteiga
4 ovos
125g de açúcar mascavo
125g de açúcar
50g de farinha de trigo peneirada
20g de cacau em pó, sem açúcar, peneirado
100g de noz-pecã triturada
Preaqueça o forno a 170 graus. Forre uma forma quadrada de 20x20cm com papel manteiga. Pique o chocolate e de rreta em banho maria com a manteiga. Misture delicadamente com uma espátula flexível.
À parte, bata vigorosamente os ovos com os dois tipos de açúcar até que a preparação se torne espessa e cremosa. A seguir, incorpore tudo à mistura de chocolate e manteiga. Acrescente a farinha e o cacau peneirados e também as nozes-pecã trituradas. Misture bem com a espátula.
Despeje essa preparação na forma e asse por 30 minutos ou até enfiar a ponta de uma faca no centro do brownie e ela saia limpa. Deixe esfriar sobre uma grade de metal e depois corte em quadradinhos.
brownie de nutella (com nutella caseira)
23 ago 2011 2 Comentários
em Receitas, Sobremesas Tags:brownie, nutella
Eu sou completamente fascinada por essa receita de brownie de nutella. Primeiro porque é deliciosa, fácil de fazer e principalmente porque foi a primeira receita de brownie que eu acertei fazer na vida, há alguns bons anos. Sim, eu sou uma negação pra bolos em geral (apesar de brownie não ser um bolo de fato, no próximo post eu falo um pouco mais sobre isso) e a única receita de brownie que me for ensinada foi um verdadeiro fracasso. Agradeço à Tatu por me fazer não perder as esperanças totalmente no mundo dos doces acertando em cheio esse brownie, mesmo fazendo as minhas adaptações.

meu primeiro brownie que deu certo, lá por 2008
A primeira adaptação é a redução do açúcar pela metade. Não sou muito fã de doces muito doces e funciona bem assim. A segunda adaptação foi utilizar uma nutella (ou creme de avelãs) caseira, que é o que vos ensinarei a seguir:
200g de amêndoas
1 lata de leite condensado
250g de chocolate amargo
1/2 xícara de leite
Em fogo baixo, tostar as amêndoas numa panela anti-aderente por 10 a 15 minutos, com cuidado para não queimar. Triturar as amêndoas no processador no modo pulsar até obter a textura de uma pasta. Dependendo do processador, essa textura nunca será conseguida e o máximo que você vai obter é uma farofinha grossa. Não tem problema.
Derreter o chocolate em banho maria e colocar num bowl. Adicionar o leite condensado e misturar bem. Colocar a pasta de amêndoas na mistura e ir acrescentando um pouco de leite para deixar mais fluido, se for necessário.
Coloque a mistura de volta no processador, se desejar, pra misturar melhor os ingredientes e está pronto pra consumir ou, no caso, usar no brownie.

o sabor é incrível, mas a textura não fica igual à da nutella de verdade, porque as avelãs ficam esmigalhadinhas feito uma farofa
Se você usou potes de nutella desses de 180g, ótimo, já vai ajudar na receita do brownie:
200g de nutella caseira (um pote mais um pouquinho)
100g de manteiga em temperatura ambiente
2 colheres de sopa de chocolate em pó dois frades
1 xícara de açúcar
3 ovos
1 colher chá de essência de baunilha
1 xícara de farinha de trigo peneirada
1 xícara de avelãs ou castanhas picadas
Você pode tanto fazer na mão como na batedeira. Misture a manteiga com a nutella e adicione o açúcar. Ponha o chocolate, adicione os ovos e a baunilha e misture bem. Acrescente a farinha aos poucos e por último as avelãs ou castanha. O forno deve estar pré aquecido a 180 graus. Unte uma forma anti-aderente e asse por cerca de 45 minutos, mas faça o teste do palito aos 30 minutos: se estiver com migalhas grudadas, está pronto. Deixe esfriar e corte em quadradinhos, rende cerca de 20 unidades.
Sirva como quiser: com uma bola de sorvete de creme, com mais nutella por cima ou simplesmente com uma xícara de café :)
astrid y gastón
21 jul 2011 1 Comentário
em Diversos, Guia Tags:astrid y gastón
Eu tinha alguma expectativa em ir ao Astrid y Gastón porque é o restaurante mais famoso de Lima e considerado um dos melhores restaurantes do mundo, segundo a lista St. Pellegrino. Claro que, pra não estragar a experiência, esqueci desse detalhe e tratei de provar cada coisa com cuidado.
A primeira coisa que perguntamos foi se eu, como pessoa alérgica a crustáceos, poderia pedir o menu desgustação, que consiste em 12 pratos a um preço único. Claro que devem ser porções mínimas, como um menu degustação tem que ser. Mas são 12 coisas diferentes pra experimentar, lógico que vale a pena. Mas a maioria dos pratos tinha crustáceos e eu não pude pedir. Nem o ceviche eu pude provar, já que o leche de tigre preparado na casa leva um fundo como base que é feito de crustáceos. Uma pena :(
Como eu tinha certeza que, apesar disso, queria comer peixe ou algum fruto do mar, tratei logo de pedir um chardonnay francês, com a certeza de que acompanharia bem qualquer prato de frutos do mar. Assim eu não ficaria tentada a comer alpaca :D
Mas tudo bem. De entrada, eles servem uma tábua com pães maravilhosos feitos na casa, de canela, chocolate, com ervas, além dos grissinis (esses eu quase não deixei pra o marido, de tão bons que tavam), acompanhados de azeite aromatizado, manteiga e chimichurri.
A primeira entradinha foi esse prato que consistia em dois cones crocantes com um mix de peixes, um canapezinho de caranguejo e outro com base de batata.
Depois, pedimos um pulpo al cilindro, marinado e servido com espumas de azeitonas pretas em cima de um creme de batatas amarelas. Achei muito bom, mas confesso que meu preconceito com espumas permanece: tenho nojo, acho feio e o sabor não me surpreendeu ao ponto de me fazer mudar de idéia. Totalmente dispensável, na minha opinião. Se fosse um creme de azeitonas, se sairia bem melhor.
Me surpreendeu o menu ter tantas opções de carne (alpaca, porco, pato e até cuy), tanto que foi difícil escolher alguma opção que fosse de frutos do mar e não tivesse crustáceos. Tive que pedir ajuda aos universitários. O garçom, muito simpático, sugeriu o atum selado com crosta de especiarias, espuma de coco, molho de tamarindo e huacatay, uma erva peruana que tem um frescor delicioso. Pra acompanhar, um juane, aquele bolinho de arroz cozido na folha de bananeira que falei no outro post.
Tarta pediu um prato que fiquei salivando, mas não pude nem provar por causa dos crustáceos. Era uma espécie de risoto com camarões, langostinos, lula, mariscos e lagosta.
Por fim (e não menos importante), vem à mesa uma mini-estante de docinhos com trufas saborosíssimas, macarrons e gomas doces. Pra você se servir à vontade.
Gostei muito do restaurante e principalmente da atenção que os garçons dão à experiência de comer no Astrid y Gastón. Todos os pratos são super bem explicados, nos mínimos detalhes e se percebe que há uma preocupação de mostrar ao cliente que cada preparação é feita com cuidado, cada ingrediente é bem pensado antes de entrar no prato, não é simplesmente invenção de moda. Claro que eu dispenso espumas e outros modismos, mas isso é uma questão pessoal. Recomendo uma ida ao AYG com a simples intenção de comer bem e, principalmente, sem expectativas demais. Garanto que a experiência vai ser bem mais válida.
O que comer: Lima
20 jul 2011 2 Comentários
em Diversos, Guia Tags:lima, peru
Estando em Lima, depois de visitar o centro e todas as igrejas e museus maravilhosos, não existe muito o que fazer a não ser andar por Miraflores e comer muito, mas muito bem. As opções são muitas, a cada quarteirão tem pelo menos um restaurante excelente. Não perca tempo escolhendo muito, arrisque-se: sempre sai uma boa surpresa.
Brasileiro é rico no Peru, mas isso não significa que você precisa ficar esbanjando o tempo todo. Olhe sempre o cardápio antes de sentar no restaurante: é importante saber qual a prata da casa e principalmente checar os preços. Não é à toa que deixam os cardápios na porta do estabelecimento.
Se esbalde nos peixes e frutos do mar diversos; coma ceviche sempre que tiver vontade, eles são bons em quase todos os lugares. Langostinos graúdos, polvo na parrilla, peixe à la plancha, tem da forma que você quiser. Abuse deles, são todos ótimos e frescos. A indústria pesqueira do Peru é avançadíssima e é modelo de inveja pro Brasil, que tem uma costa tão grande e não sabe aproveitar sua riqueza.
Se estiver no inverno e gostar de vinho, peça uma taça; todo lugar serve vinho na taça e os preços são os mesmos de um pisco sour. Aliás, não abuse do pisco sour, palavra de quem entende do assunto, hahaha. Pisco é uma delícia e justamente por isso você chega rapidinho no quinto e não é bolinho. Trust me, i’ve been there. Twice.
E, claro, sempre vai existir a cusqueña, a melhor cerveja do Peru. Quem não é de bebida alcoólica, peça a chicha morada, mais saudável que refrigerante e refresca.
Abaixo, segue um guia de alguns lugares que visitamos. Repito: arrisque-se. Entre num lugar sem pretensões, você pode ter uma grata surpresa.
La Eñe: restaurante espanhol com um toque peruano. Fomos sem pretensão nenhuma e é um lugar delicioso. Sentamos num terraço semi-aberto coberto de plantas, muito agradável.

Tarta na cusqueña e eu no vinho
Pulpo a la gallega: lâminas de polvo com batatas temperados com ají panca:
Salmón marinado com espinacas: pedaços bem generosos de salmão marinado acompanhados de folhas de espinafre cruas com molho doce:
Yuquitos relleños: nada mais que um bolinho de macaxeira (aipim) recheado com queijo (a cava foi só pra tirar um sarro :D):
Café de La Paz: café simpático em frente ao Parque Kennedy, no centro de Miraflores. Daqueles que você senta na rua, embaixo de uma tenda e fica só vendo a vida passar.
Tequeños de queijo brie com creme de abacate:
Tábua de frios pra acompanhar um vinho no friozinho que tava:
Ceviche de linguado delicioso, sempre acompanhado de camote e choclo:
Solari: restaurante grande, com várias opções de carne na parrilla. nesse dia eu tava a fim de carne suculenta, então foi ótimo.
Bife de chorizo com salada:

La Red Cebicheria: uma das mais tradicionais e antigas cebicherias de Lima, funcionando desde 1981. Fomos, sem querer, num feriado nacional, dia de São Pedro e coincidentemente o dia nacional do Cebiche. Não podíamos deixar de pedir o carro chefe do La Red:
Depois, um pulpo a la parrilla, com muita cebola:
peru
15 jul 2011 5 Comentários
em Curiosidades
Pois é, amiguinhos, como muitos de vocês sabem, passei 15 dias de férias no Peru e não preciso dizer que foi incrível. A comida peruana, pra mim, é uma das mais encantadoras do mundo e certamente a mais representativa dentro da culinária andina.
A gastronomia andina é aquela que acolhe todos os países atravessados pela magnífica e bela Cordilheira dos Andes (assustadora pra alguns que viram aquele filme dos jogadores de futebol que sobreviveram a um acidente de avião comendo uns aos outros), ou seja, o Chile, a Bolívia, o Peru, o Equador, a Colômbia e a Venezuela. É uma cozinha muito rica, totalmente influenciada pelos povos indígenas que habitavam aquelas terras antes da chegada dos espanhóis. Muito do que se consumia pelos povos incas ainda faz parte da gastronomia atual. A alimentação era farta em legumes, tubérculos, frutas, cereais, peixes e carne de animais locais.
A batata é o carboidrato base da cozinha peruana e andina. O arroz, que é a base da nossa cozinha brasileira, só chegou aos países andinos com os espanhóis, mas até hoje a batata reina suprema como fonte de energia. Por volta de 2.500 a.C., já eram cultivadas cerca de 200 tipos de batatas diferentes e hoje já são catalogadas mais de 2.500 tipos diferentes. Amarelas, laranjas, doces, pequenas, grandes, cozidas, fritas, em forma de purê… batatas das mais variadas formas, cores e sabores.
Outro alimento andino que anda muito em voga no vocabulário nutricional é a quinoa. Era considerado um alimento sagrado pelos incas e é cultivada há mais de 5 mil anos. É um cereal muito rico em carboidratos, vitaminas e ácidos graxos essenciais ômega 3 e 6, possui mais proteínas do que qualquer outra planta da sua espécie. Ajuda a aumentar a imunidade, a memória, reduz o colesterol ruim e ainda ajuda as mulheres a diminuir os sintomas da TPM e menopausa. Ou seja, quinoa é deus. Pode ser usada como cereal no café da manhã, em saladas, sopas e pode substituir o arroz em risotos.
Mas não podemos falar de culinária peruana sem falar do milho. São cerca de 35 variedades: branco, amarelo, preto, que podem ser servidos cozidos, fritos, tostados, como bebida e como base pra vários pratos salgados e doces. O tamale é um exemplo interessante: é bem semelhante à nossa pamonha (só que acho nossa pamonha mais gostosa), é servido enrolado na palha do milho, cozido do mesmo jeito. O sabor é um pouco mais suave devido ao tipo de milho.
Desse milho negro se faz uma bebida muito consumida em todo o país, a chicha morada, que é simplesmente a maíz morada (o milho pretão) fervido e liquidificado com água e açúcar. É muito bom!
A chegada dos espanhóis trouxe consigo alguns animais, legumes e temperos que os ameríndios não conheciam e que foram enriquecendo ainda mais sua cozinha. E acho que a principal característica da cozinha andina é essa fusão de alimentos (que se convencionou de chamar de cozinha criolla): as heranças indígenas conservadas até hoje misturada aos hábitos trazidos pelos espanhóis e depois pelos outros povos que chegaram ao continente americano, como chineses e japoneses, promoveram esse samba do crioulo doido delicioso e rico, possibilitando recriar e até se apropriar de valores dessas outras culturas pra constituir essa que é uma gastronomia muito autêntica e original.
Cozinha de mar, montanha e selva
A cozinha peruana é dividida dessa forma, de acordo com a localização geográfica. No litoral, banhado pelo oceano Pacífico, a variedade de peixes e frutos do mar é enorme (cerca de 2000 espécies) e em Lima é basicamente o que se come. Langostinos e camarones,como eles chamam, aparentemente não têm nenhuma diferença, exceto que os langostinos são de mar, menores e os camarones maiores e de rio (e mais difíceis de serem pescados).
Ceviches de quase todo tipo de pescado, sempre servidos com muita cebola roxa, camote (batata laranja meio doce, gosto muito semelhante ao da abóbora), choclo (milho de grãos grandes e meio esbranquiçados, quase sem gosto), leite de tigre, que nada mais é que o suco do limão usado pra marinar o prato junto com os sumos liberados pelo peixe. Dizem que cura ressaca, viu? O tempero é ají e salsinha. Em quase todo lugar o ceviche é igual, mudando apenas a acidez e picância do prato. Particularmente, prefiro os de acidez moderada e a picância só vai influenciar na quantidade de cerveja que eu vou beber. De todos os ceviches que provei (e não foram poucos), o que mais gostei foi o de truta, que não é um peixe de mar. Ceviche de linguado é o mais encontrado e muito gostoso também.
A cozinha de montanha é a cozinha dos Andes. A presença das chamadas terrazas, já utilizadas desde a época dos incas, faz com que numa mesma montanha exista uma série de microclimas (84 das 104 zonas climáticas da terra, o Peru é um dos 12 países do mundo que têm tamanha diversidade). Isso faz com que cereais que necessitem de frio extremo possam ser cultivados num mesmo local que frutas tropicais, por exemplo, só modificando a altitude. Não é lindo?

essas escadarias aí é que são as terrazas
Além disso, é aqui na bela cordilheira dos Andes que estão as alpacas e lhamas, aqueles bichinhos lindos que cospem em você quando você chega perto. E o cuy. Gente, o cuy é retratado nos quadros do século 16 como prato principal da santa ceia, pelo menos pelos artistas anônimos da escola cusquenha. Mas o cuy, pra quem não sabe, é o porquinho da índia, ou preá (que nada mais é que um hamster grande). Eu criei preá quando era criança. Além disso, o cuy é sempre servido inteiro, assado no forno, na brasa, recheado ou não. Não, eu não consegui comer, é muito bonitinho.
E por fim, temos a cozinha de selva (e em selva aqui leia-se a região da floresta Amazônica), com ingredientes muito semelhantes ao que é consumido no norte do Brasil. Peixes de rio como o Pirarucu, carnes de caça, larvas, palmitos, castanhas e mandioca. Frutas como a piña (abacaxi), o camu camu e a banana, que está presente em muitas preparações. Comi no Astrid y Gastón um atum delicioso que acompanhava uma juane, uma massaroca feita com arroz e cozido em folha de bananeira, bem típico da parte amazônica do Peru.
Aos poucos, vou postando aqui minhas impressões sobre a gastronomia peruana, receitas, guias de onde e o que comer em Lima e Cusco (e arredores). Mas aos poucos mesmo, porque é muita informação.
ceviche
22 jun 2011 5 Comentários
em Receitas
O ceviche (pronuncia-se cebiche) é um prato típico do Peru, sendo muito encontrado em quase todos os países andinos. Trata-se de uma espécie de “marinada” feita com suco de limão e peixe, entre outros ingredientes, onde o limão tem a função de “cozinhar” o peixe e deixá-lo mais macio. Normalmente adiciona-se cebola roxa, milho e batata doce pra dar mais sustância ao prato e, pra finalizar, salsinha ou coentro, pra quem gosta.
Em relação ao peixe, é importante que se utilize um peixe de carne firme, de preferência branca, mas outros frutos do mar podem ser utilizados, como o camarão e o polvo. Outro aspecto que vai influenciar diretamente na textura: se o peixe é ou não fresco. A textura do peixe fresco é infinitamente melhor que a do peixe congelado, saiba que isso vai mudar totalmente o aspecto e gosto do prato.
Você vai precisar de:
500g de filé de agulhão ou pescada branca, de preferência frescos
2 cebolas roxas
sumo de 6 limões
300g de mini-milho
2 batatas-doce
1/2 maço de salsa ou coentro
3 pimentas dedo de moça
sal a gosto
Corte a cebola em fatias fininhas, como uma julienne, e coloque-as num bowl com água e açúcar para tirar um pouco da acidez. Enqaunto isso, descasque as batatas e cozinhe-as até ficarem al dente.
Corte o peixe em tranche, com uma leve angulação na faca, como se tivesse fazendo sashimis de aproximadamente 0,5cm. Se o peixe não for fresco, espere descongelar completamente antes de cortá-lo e seque bem cada pedaço com um papel toalha pra não soltar água na preparação. Se desejar, amasse-o com a faca como se tivesse fazendo um carpaccio para deixá-lo bem fininho, mas isso é opcional. Eu prefiro deixar ele mais grossinho mesmo. Arrume os pedaço de peixe numa travessa e derrame por cima o suco de limão. Reserve.
Corte as batatas em rodelinhas e os mini-milhos num tamanho de 2cm. Escorra as cebolas e adicione tudo à travessa. Revolva com as mãos, adicione o sal, a pimenta picadinha (sem sementes) e a salsa ou coentro picadinhos. Cubra com papel filme, deixe na geladeira até a hora de servir.
Esse fim de semana, viajo de férias para o Peru e espero comer os melhores ceviches in loco. Depois posto aqui minhas impressões da culinária andina. Beijos e até a volta.
chocolate quente
18 mai 2011 3 Comentários
Eu não sou lá uma pessoa muito fã de chocolate, mas há pouco tempo descobri que na verdade o que eu não gosto é de chocolate brasileiro. Antes que vocês me chamem de esnobe, deixem eu me explicar: chocolate brasileiro normalmente é ao leite e leva MUITO açúcar. E eu não sou muito fã de doces muito doces. Talvez a única exceção eu abra pro brigadeiro, mesmo assim não é algo que eu consiga comer muito. Bom, tenho certeza que mais gente compartilha desse meu não-gosto por coisas doces demais. E, convenhamos, brasileiro é muito viciado em açúcar.
Mas voltando ao meu gosto por chocolate: depois que você come um chocolate de verdade (belga, suíço, francês) você percebe como o nosso chocolate é pobre e super doce. E quando você aprende a gostar de chocolate amargo você passa a entender que o sabor do chocolate é muito mais rico quando ele tem menos açúcar. Vou ficar devendo um longo post sobre o chocolate, mas hoje vamos ficar apenas com uma receita muito simples, ideal pra esses dias chuvosos que tão fazendo aqui em Recife.
Você vai precisar de:
500ml de leite
100ml de creme de leite
60g de chocolate amargo (usei um 78% de cacau) em raspas
1 colher de sopa de açúcar
1 colher de chá de canela
1 grão de pimenta do reino
Ferva o leite diluído com o creme de leite. Adicione as raspas de chocolate, o açúcar, a canela e a pimenta e mexa bem pra dissolver tudo. Aqueça por mais 10 minutos, mexendo de vez em quando. Peneire e sirva quente.
Você pode gelar e reaquecer no dia seguinte, fica ainda mais gostoso. Se você não gosta de chocolate amargo, use um com menos cacau ou adicione mais açúcar conforme seu gosto.

































